A frota de veículos eletrificados no Brasil já não é mais uma novidade restrita a poucos entusiastas. De fato, com mais de 126 mil veículos elétricos e híbridos leves circulando pelo país, o volume comercializado nos últimos anos passou a abastecer de forma contínua o mercado de seminovos e usados.
A procura por esses modelos em plataformas digitais de comercialização registrou alta de 39%, um sinal claro de que o comprador brasileiro está mais aberto a essa tecnologia. Ainda assim, esse mercado carrega particularidades que exigem atenção redobrada de quem compra, vende ou certifica esses veículos.
Um mercado que já tem escala própria
Diferente de alguns anos atrás, quando o elétrico e o híbrido eram exceção no pátio das lojas, hoje esses modelos já compõem uma fatia relevante do estoque de seminovos e usados em determinadas regiões. O crescimento da frota eletrificada segue um ritmo acelerado, puxado tanto por incentivos fiscais quanto pela ampliação da oferta de modelos em diferentes faixas de preço.
Esse amadurecimento traz consequências diretas para o lojista. Além de entender as particularidades técnicas de cada tecnologia de propulsão, é preciso desenvolver capacidade de avaliação especializada, algo que ainda é escasso em boa parte do varejo automotivo tradicional. Entre os fatores que sustentam essa expansão, destacam-se:
- Incentivos fiscais direcionados a veículos elétricos e híbridos;
- Ampliação da oferta de modelos em diferentes faixas de preço;
- Redução gradual do custo dos pacotes de baterias;
- Maior familiaridade do consumidor com a tecnologia eletrificada.
A depreciação não é igual para todos
Um dos pontos mais importantes para quem trabalha com eletrificados seminovos e usados é entender que a curva de depreciação varia muito conforme a faixa de preço e a tecnologia.
Elétricos de entrada, com valores mais acessíveis, costumam depreciar menos do que modelos equivalentes a combustão no primeiro ano de uso, com perda média de 7,9% contra 13,4%. Isso acontece porque a oferta de seminovos nessa faixa ainda é limitada e o apelo de baixo custo por quilômetro rodado segue forte.
Já no segmento de elétricos de luxo, o cenário se inverte. Esses modelos podem perder até 60% do valor original em cinco anos, puxados pela evolução tecnológica acelerada e pelo alto custo do pacote de baterias.
Os híbridos, por sua vez, tendem a se comportar de forma mais estável, retendo em média 65% do valor após o mesmo período. Essa diferença acontece porque o híbrido elimina a chamada ansiedade de autonomia, um dos principais obstáculos psicológicos do comprador brasileiro em relação ao elétrico puro.
A bateria é o centro das atenções
A principal incerteza que ainda retarda a adesão do comprador ao elétrico seminovo está na durabilidade do conjunto de baterias. As garantias de fábrica costumam cobrir esse componente por até 8 anos ou 160 mil quilômetros rodados, e levantamentos técnicos indicam retenção média de 80% da capacidade original após oito anos de uso.
Ainda assim, alguns fatores podem acelerar a degradação da bateria além do esperado:
- Recargas rápidas frequentes, que geram mais estresse térmico nas células;
- Exposição constante a temperaturas elevadas, especialmente em regiões mais quentes do país;
- Longos períodos de ociosidade com carga muito baixa ou muito alta;
- Falta de manutenção preventiva do sistema de refrigeração da bateria.
Por isso, avaliar o estado de saúde da bateria, conhecido tecnicamente como SOH, tornou-se uma etapa indispensável antes de comercializar um elétrico ou híbrido seminovo e usado.
Certificação técnica como resposta à incerteza
Diante desse cenário, contar com um diagnóstico técnico confiável e uma certificação específica para veículos eletrificados faz toda a diferença na hora de fechar negócio. A Gestauto, por exemplo, oferece planos desenvolvidos especificamente para esse público, que costumam incluir:
- Itens inclusos voltados ao sistema de alta voltagem;
- Atendimento sobre os inversores e dos principais componentes elétricos;
- Acréscimo opcional para modelos híbridos, complementar a qualquer plano tradicional;
- Diagnóstico técnico como parte do processo de certificação.
Esse tipo de certificação reduz a assimetria de informação entre vendedor e comprador, que costuma ser ainda maior em veículos eletrificados do que em modelos a combustão. Ao oferecer esse diferencial, o lojista transmite mais confiança e sustenta melhor o preço de venda.
Um mercado em processo de amadurecimento técnico
O mercado de elétricos e híbridos seminovos e usados ainda está em construção no Brasil, mas os números mostram que essa construção avança rápido. Para o lojista, entender as particularidades técnicas de cada tecnologia passou a ser uma exigência básica.
Quem se antecipar a esse movimento, investindo em avaliação técnica qualificada e em certificação especializada, estará mais preparado para atender um comprador cada vez mais informado e mais aberto à eletrificação.
Serviço
Gestauto – empresa Assurant
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