Autonomia de carro elétrico e carro a combustão: qual a diferença?

Entenda como funciona a autonomia de carros elétricos e a combustão, quais fatores influenciam o alcance e como isso impacta a escolha de um seminovo no dia a dia
Autonomia de carro elétrico e carro a combustão: qual a diferença?

A autonomia sempre foi um dos fatores que mais influenciam a escolha de um veículo. Seja no momento de comprar um carro a combustão ou de considerar um modelo elétrico, todo motorista quer saber a mesma coisa: “até onde eu consigo ir sem parar?”

Essa pergunta ficou ainda mais relevante com o avanço dos carros elétricos no mercado brasileiro. Mas a resposta não é tão simples quanto comparar dois números.

A autonomia de carros elétricos e a de carros a combustão funcionam de maneiras muito diferentes e impactam o dia a dia do motorista de formas igualmente distintas.

Se você é comprador, vendedor ou lojista do mercado de seminovos, entender essas diferenças é essencial para fazer boas escolhas e orientar o cliente com segurança.

Neste blog, vamos explicar como a autonomia funciona em cada tipo de veículo, quais fatores realmente importam, como isso aparece no uso diário e o que considerar na hora da compra de um seminovo.

Antes de comparar: o que significa “autonomia” em cada tipo de veículo?

Em qualquer veículo, a autonomia é o alcance, a distância que ele percorre antes de precisar reabastecer.

Mas a maneira de calcular, utilizar e até interpretar essa autonomia muda completamente entre os veículos a combustão e veículos elétricos

E é essa diferença que gera dúvidas, e às vezes expectativas equivocadas, na cabeça do comprador.

Autonomia em carros a combustão

Os carros a combustão são movidos por gasolina, etanol ou diesel. O cálculo da autonomia é feito a partir de:

  • Tamanho do tanque
  • Consumo médio por litro (km/l)
  • Tipo de combustível
  • Condições de uso (cidade/estrada)

Em média, um carro popular a combustão roda entre 400 km e 700 km com um tanque cheio. SUVs e motores maiores podem ter um alcance menor.

Autonomia em carros elétricos

Nos carros elétricos, a energia é armazenada em baterias, medidas em kWh.
A autonomia depende de fatores como:

  • Capacidade da bateria
  • Eficiência do motor elétrico
  • Condução do motorista
  • Temperatura ambiente
  • Tipo de trajeto
  • Frenagem regenerativa

A maioria dos elétricos brasileiros roda entre 300 km e 500 km por carga.
Modelos premium já ultrapassam 600 km.

Essa autonomia é suficiente para a rotina da maioria dos motoristas do país, especialmente nas cidades.

E há uma diferença importante, a autonomia do elétrico pode variar mais de acordo com o comportamento de uso. O ar-condicionado, a velocidade, subidas e descidas podem aumentar ou reduzir o alcance.

Mas isso não é necessariamente ruim, apenas significa que o motorista tem mais controle sobre o consumo.

Elétrico x combustão

A autonomia não deve ser analisada apenas como um número fixo. O que realmente importa é como esse alcance funciona na rotina do motorista. 

Para quem roda na cidade

A maior parte dos brasileiros percorre entre 20 km e 40 km por dia.

Nesse cenário:

  • O elétrico entrega autonomia de sobra
  • Recarregar é simples e previsível
  • A condução urbana favorece a regeneração de energia

Por isso, muitos motoristas urbanos afirmam que o carro elétrico se encaixa naturalmente na rotina. Ao chegar em casa ou no trabalho, basta colocar o veículo para recarregar. 

Quando retornam ao carro, ele já está preparado para o próximo trajeto, sem necessidade de paradas em postos ou desvios apenas para abastecer.

Já o carro a combustão pode ser vantajoso em trajetos mais variados, mas sua eficiência em uso urbano não se compara ao elétrico quando o assunto é economia por quilômetro rodado.

Para quem faz viagens longas

O carro a combustão ainda leva vantagem quando falamos de viagens muito longas e rotas sem parada.

Isso porque:

  • É mais rápido abastecer do que recarregar
  • Há postos em qualquer cidade
  • O motorista não precisa planejar o trajeto com antecedência

Já o elétrico depende da disponibilidade de pontos de recarga rápida.

Mas vale lembrar, a rede de recarga está crescendo muito no Brasil, as baterias estão carregando mais rápido e os novos veículos elétricos já cobrem longas distâncias com facilidade.

Autonomia e custo por quilômetro: uma comparação prática

Quando falamos de autonomia, pensamos em “quantos quilômetros”. Mas existe outra variável essencial: quanto custa cada quilômetro rodado.

E aqui o elétrico assume uma vantagem clara:

  • O gasto por km pode ser 60% a 70% mais barato do que gasolina
  • A manutenção de motor elétrico é mais barata
  • Menor desgaste de componentes

Mesmo que a autonomia do elétrico seja levemente menor, o custo por distância percorrida é muito mais vantajoso. Isso é um argumento poderoso para vendedores e lojistas.

Fatores que influenciam a autonomia 

Se você é lojista ou vendedor de seminovos, é fundamental orientar o cliente sobre o que impacta a autonomia real.

Nos elétricos:

  • Velocidade constante alta (como na estrada) reduz autonomia
  • Subidas intensas consomem mais energia
  • Regeneração em descidas aumenta o alcance
  • Ar-condicionado impacta mais do que em combustão
  • Temperaturas muito baixas diminuem a eficiência da bateria

Nos carros a combustão:

  • Etanol reduz a autonomia em relação à gasolina
  • Trânsito intenso diminui o rendimento
  • Manutenção irregular afeta consumo
  • Combustível adulterado compromete o motor

Essas explicações aumentam a confiança do consumidor e tornam a experiência de compra mais transparente.

Autonomia e rotina: como ajudar o comprador a escolher o veículo certo

A análise da autonomia, seja em veículos elétricos ou a combustão, deve ser sempre feita levando em conta o perfil real de uso do motorista. Esse é o ponto central que precisa ser considerado em qualquer processo de venda.

Isso significa que, para orientar corretamente o comprador, o vendedor ou lojista precisa ir além de perguntas básicas e construir uma leitura técnica do comportamento de condução. 

Entender:

  • Quantos quilômetros são percorridos por dia
  • Com que frequência surgem viagens longas
  • Como é a disponibilidade de abastecimento ou recarga
  • Qual é a expectativa de custo por quilômetro rodado
  • Que tipo de previsibilidade o comprador espera do veículo

Essas informações permitem interpretar a autonomia não como um número absoluto, mas como um elemento que deve ser compatível com a rotina do motorista. 

Um mesmo carro pode ser excelente para um perfil de uso e inadequado para outro, independentemente de ser elétrico ou a combustão.

Para trajetos predominantemente urbanos, onde os deslocamentos são curtos, previsíveis e mais frequentes, as características dos modelos elétricos tendem a se alinhar melhor ao uso diário, sua eficiência em baixa velocidade, capacidade de regenerar energia e custo operacional reduzido tornam a autonomia mais do que suficiente para a rotina.

Já motoristas que percorrem longas distâncias, que têm compromissos frequentes em rodovias ou que dependem de grande flexibilidade de deslocamento costumam encontrar nos veículos a combustão uma autonomia mais estável, com abastecimento rápido e infraestrutura amplamente disponível, fatores críticos quando o tempo de parada é determinante.

Essa análise mais técnica também ajuda a compreender a evolução recente do mercado de seminovos. Com o aumento da presença de carros elétricos no ciclo de revenda, o perfil do comprador começa a mudar, ele está mais informado, mais atento aos detalhes técnicos, mais preocupado com previsibilidade e, principalmente, mais interessado em entender como a autonomia se comporta no uso real, não apenas no dado de fábrica.

Isso significa que o seminovo elétrico atrai um consumidor mais exigente, que valoriza informações precisas e transparência total sobre a saúde do veículo, a capacidade da bateria e o comportamento esperado em diferentes condições de uso. 

Para o lojista preparado, isso representa uma vantagem competitiva importante, pois aumenta a percepção de valor do estoque e melhora a qualidade das conversas de venda.

Diante disso, não existe uma resposta universal para a pergunta “qual autonomia é melhor?”. 

Autonomia não deve ser vista como uma competição entre elétrico e combustão, mas como uma característica técnica que precisa se ajustar ao estilo de vida do motorista.

A escolha mais inteligente é aquela que alinha o tipo de autonomia ao tipo de uso. Quando o lojista consegue identificar essa relação, ele não apenas orienta o cliente com precisão, mas também fortalece sua credibilidade técnica e aumenta significativamente suas chances de converter a venda.

O mercado está mudando e entender sobre autonomia é uma das chaves para orientar bem o consumidor e aproveitar as oportunidades nos seminovos.

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